Sobre a Galeria da Adriana Varejão no Inhotim
Do ponto de vista externo, a galeria possui um formato cúbico, em tom neutro. Ornamentada por piscinas de borda infinita e, logo em sua entrada, pode ser vista a primeira obra do local: azulejos ilustrados com plantas alucinógenas. Essa obra conversa com as piscinas de borda infinita, abordando a distorção de efeitos visuais ocasionada pelo uso das plantas alucinógenas em questão.
Por conter tantos elementos naturais e um design externo simples, a vista externa da galeria em questão é agradável aos olhos do espectador, com um design excêntrico e propositalmente planejado para que a atenção esteja voltada para a obra das plantas alucinógenas, bem como para as piscinas e para a arborização do local. Por ter um interior mais detalhista, a galeria passa a sensação de se tratar de um cubo mágico invertido, no qual a parte a ser solucionada está localizada no interior do edifício.
No primeiro piso, temos a obra ilustrada acima. Ela mostra azulejos danificados e, em suas rachaduras, há ilustrações que nos remete à carne. Também é válido informar que há ilustrações de plantas carnívoras no tom de vermelho logo acima dessa obra.
Particularmente, admiro essa obra. Ela transmite a sensação de que tudo é carne, de que tudo está vivo. Tudo se deteriora, tudo se fere e tudo morre. Ruína.
Posteriormente, descobrimos que essa obra retrata o desabamento do Hotel Linda do Rosário, que caiu sobre um casal de amantes que faleceram no local do acidente.
No piso superior, temos a obra acima representada. Ela é composta de azulejos no tom de azul, com traços que nos remete ao mar. Há Também a representação de personificações de anjos, que nos lembra as pinturas renascentistas. A obra em si, se refere ao período das navegações e colonização do Brasil.
Alguns dos azulejos estão craquelados, nos remete ao desgaste, à seca posterior às ondas do mar que um dia ali estiveram. A obra também é fragmentada, sem um sentido a ser acompanhado e parecendo não possuir ter começo ou fim. É possível associar a pintura também a um quebra cabeças. Associando estes conceitos ao período de navegações, tive a percepção de que está relacionado á quebra da cultura dos povos indígenas. Esta seria representada pelo mar, e por ele foi levada, deixando os azulejos secos, transformando-os em algo sem vida.
Por fim, temos no terraço do edifício, uma obra semelhante à das plantas alucinógenas. Azulejos ilustrados com pássaros. Os pássaros ilustrados apresentam intensidades de tom diferentes, sendo os mais claros os mais ameaçados de extinção.
Bom, sobre a galeria como um todo, é notória a sua beleza e a criticidade presente nas obras da Adriana Varejão. Elas possuem uma relação com a humanidade e, ao mesmo tempo, com os elementos naturais. Nos mostra um pouco sobre a relação do homem com a natureza e da natureza com o homem. Cabe ressaltar também que a galeria possui um trajeto fixo e planejado. O visitante é induzido a percorrê-lo assim que passa pela porta de entrada. Este foi um ponto positivo sobre o fato de a artista ter participado do projeto arquitetônico que envolveria as suas obras: ela fez com que a galeria se tornasse parte fulcral de seu interior, com elementos pensados de forma estratégica para gerar o efeito esperado no leitor.
Por fim, segue alguns desenhos de observação produzidos no local:
- Por Manuela Viveiros





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