Sobre os fotógrafos Annie Leibovitz, Man Ray e Daniel Moreira e análise de suas obras
Annie Leibovitz
Annie Leibovitz é uma fotógrafa estadunidense nascida em 1949. Conhecida na atualidade por seus retratos nítidos e bem iluminados, especialmente de celebridades, Annie possui 6 livros de suas fotografias publicados e trabalhou em grandes revistas, como Rolling Stones e Vanity Fair.
Suas fotografias
Meryl Streep, 1981, Annie Leibovitz
A fotografia foi capa da Rolling Stone de outubro de 1981. Nela, pode-se ver a atriz Meryl Streep retratada em um fundo simples, com roupas simples e o seu rosto tingido de branco, como uma espécie de "máscara", um conceito reforçado pelo fato de Streep estar puxando a sua pele, mostrando que esta está colada em seu rosto. A intenção de Leibovitz com a máscara, foi permitir à atriz interpretar um papel, fazendo-a se sentir mais à vontade, lhe dando a sensação de não estar exposta diante do olhar do outro, não sendo possível perceber de forma transparente a pessoa ali retratada. Sua roupa sugere espontaneidade e descontração, Annie colocou a câmera na altura de seu olhar, o que reforça a sugestão de proximidade com o leitor, estabelecendo um vínculo. Meryl Streep, através de Leibovitz, quis nos dizer que seu retrato não passa de mais uma persona, e não de quem ela realmente é.
John Lennon e Yoko Onu, 1980, Annie Leibovitz
Sendo provavelmente o trabalho mais conhecido de Annie Leibovitz, a fotografia retrata John Lennon e Yoko Ono. Na imagem, John se encontra em posição fetal, contrastando com Yoko, que aparece vestida de preto. A fama do retrato se dá pelo fato de ter sido tirado na manhã do dia do assassinato de John. Annie diz ter sido inspirada por uma foto cheia de sentimento do casal se beijando e, buscando uma imagem também de afeto dos dois, pediu para que a fotografia fosse tirada com ambos nus, sendo surpreendida pela negação de Yoko e ainda mais pelo resultado do contraste de seu corpo vestido com o de John Lennon sem roupas.
Man Ray
Emanuel Rudzirsky, mais conhecido pelo seu pseudônimo Man Ray, nasceu em 1890 na Filadélfia e faleceu em Paris em 1976, foi um grande fotógrafo, pintor e cineasta. É uma referência quando se trata dos estilos dadaísmo e surrealismo. Ambos os movimentos surgiram no início do século XX, sendo o surrealismo caracterizado pelo pensamento livre e espontâneo e pela valorização do sonho e do inconsciente, para além do real. Já o dadaísmo é caracterizado pelo rompimento com os modelos tradicionais de arte, valorizando a espontaneidade, a desordem, a ironia e o niilismo.
Suas fotografias
"Natasha, mulher de braços cruzados", 1931, Man Ray
Essa fotografia foi realizada com a técnica de solarização na fotografia, que é usada para descrever o efeito de inversão de tom observado em casos de superexposição extrema do filme fotográfico na câmera. Isso acentua as sombras e a profundidade das curvas da modelo, além de chamar a atenção por ser algo estranho aos olhos ao primeiro contato.
Radiografia "O Beijo", 1922, Man Ray
Man Ray utilizava da técnica que ficou conhecida como seus “raiogramas” para representar a oposição da realidade característica do surrealismo. O processo consistia em colocar objetos em um papel fotossensível e expô-lo à luz. Além de muitas vezes utilizar objetos comuns para gerar estranhamento, um dos seus raiogramas mais famosos, “The Kiss”, foi construído a partir de um par de mãos, duas bandejas e um par de cabeças se beijando, dele e de sua esposa. Dessa forma, Man Ray cria um certo desconforto no público compartilhando um momento íntimo, além de estar presente no seu próprio trabalho.
Daniel Moreira
Daniel Moreira, nascido em 1978, é um fotógrafo que vive e trabalha em Belo Horizonte, buscando o diálogo entre a fotografia documental e as artes visuais. Daniel possui um olhar que humaniza o mundo em suas relações diversas com o imaginário, o ser humano e o consumo.
Suas fotografias
Série fotográfica "Desencanto", 2014, Daniel Moreira
A representação de um brinquedo de um parque de diversão em mau estado de conservação, numa região subvalorizada, traz alguns questionamentos sobre a supervalorização do lazer e a segregação socioespacial. O contraste de tons claros e escuros contribui para esse aspecto simplícito, em conjunto com o movimento rotatório do objeto, que deduz seu funcionamento. Como alternativas a esse impasse, retrata-se essas alternativas de lazer às zonas periféricas, apontando os diferentes padrões de identidade cultural que coexistem na sociedade.
Série fotográfica "Área de risco", 2013-2017, Daniel Moreira
A fotografia em si possui uma narrativa bem sutil, retratando o olhar do fotógrafo sobre o entorno e o objeto invasor (ventilador), sinalizando inclusive o contato de grupos humanos em ambientes intocados com prerrogativas econômicas, sendo a presença do objeto uma dessas consequências, aludindo a uma denúncia ambiental e a sociedade atual. Observa-se também o dinamismo presente no correr da água e o seu choque com o material despejado.
- Manuela Viveiros
Comentários